Taxonomia da Falência e a Recuperação de Empresas – O Porquê do insucesso

Cândido Jorge Peres, Mario Guerreiro Antão, Helio Miguel Marques

Abstract


Este artigo estuda o (in)sucesso dos processos de recuperação de empresas. É banal afirmar que a previsão e a antecipação são particularmente importantes em tempo de crise, tendo a actuação dos gestores impacto determinante nos processos de recuperação. Apesar do empenho dos sucessivos governos e legisladores, com carácter pro-activo, em promover mecanismos de identificação antecipada destas situações, o nível de sucesso destes processos é muito baixo.

Partindo de uma amostra aleatória extraída de uma base de dados europeia, estudam-se os percursos anteriores à falência, bem como as trajectórias de recuperação, identificando-se as principais causas para o preocupante número de insucessos de recuperação. Cruzando os resultados obtidos com estudos de referência sobre causas e trajectórias de recuperação, avalia-se a evolução observada nestes processos e procura-se contribuir para um maior sucesso na recuperação empresarial.

No que concerne à análise da taxonomia da falência, causas, reacções, trajectorias e principais factores influenciadores do insucesso da recuperação conclui-se que a mudança observada nas últimas décadas não é significativa, propondo-se, por isso, medidas complementares para procurar melhorar a eficiência dos instrumentos de recuperação.


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ISSN 2183-5594

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